Concepção e Características Gerais do Curso
O curso de Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, da Universidade Federal do Pará, fundamenta-se em uma concepção de formação crítica, humanista e tecnicamente qualificada, orientada pelo entendimento do jornalismo como prática social, campo de conhecimento e atividade de interesse público. Em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais do Jornalismo (Resolução CNE/CES nº 1/2013), o curso compreende o jornalismo como atividade intelectual, ética e política, comprometida com a mediação qualificada dos debates públicos, com a defesa da democracia, dos direitos humanos e com a produção de informações socialmente relevantes. Tal concepção rejeita, assim, uma formação meramente instrumental ou tecnicista, assumindo como princípio estruturante a indissociabilidade entre teoria, prática, pesquisa e extensão. Estruturado em oito períodos, com carga horária total de 3.000 horas, o curso busca articular teoria, prática, pesquisa e extensão de forma indissociável e progressiva.
Inserido no contexto amazônico, o curso assume a região não apenas como cenário empírico, mas como categoria analítica central para a compreensão das dinâmicas comunicacionais, sociais, políticas, culturais e ambientais contemporâneas. A Amazônia paraense constitui o eixo epistemológico e político da formação proposta. Mais do que um recorte geográfico, a região é concebida como território histórico, simbólico e material atravessado por conflitos estruturais, desigualdades persistentes e disputas narrativas que interpelam diretamente o fazer jornalístico. A centralidade da Amazônia impõe ao curso o enfrentamento crítico de temas como a crise climática e ambiental, a degradação dos ecossistemas, a violação sistemática de direitos humanos, a violência no campo e os elevados índices de mortes decorrentes de disputas por terra. Nesse contexto, o jornalismo é compreendido como prática de interpretação e mediação da realidade, responsável por tornar visíveis sujeitos historicamente silenciados, problematizar relações de poder e produzir narrativas comprometidas com o interesse público e a justiça social.
A concepção pedagógica do curso orienta-se pela articulação entre sólida formação teórica e práticas laboratoriais críticas, atualizadas frente às transformações tecnológicas e às reconfigurações do ecossistema midiático contemporâneo. A convergência jornalística é assumida como princípio organizador da formação, sem dissociá-la da reflexão ética, política e epistemológica sobre o jornalismo em contextos marcados por desigualdades informacionais e assimetrias de poder. Valoriza-se a autonomia discente, a flexibilidade curricular e a participação ativa dos estudantes em projetos de pesquisa e extensão, entendendo a formação universitária como processo coletivo, situado e comprometido com a transformação social. Assim, o curso de Jornalismo da UFPA se concebe como espaço de formação de profissionais críticos, criativos e socialmente responsáveis, preparados para atuar de maneira ética e qualificada diante dos desafios comunicacionais da Amazônia e de suas conexões com os processos nacionais e globais.
O curso reconhece o jornalismo como campo de conhecimento e prática social, comprometido com a produção de informação de interesse público e com a mediação dos debates que atravessam o espaço público conectado. Assume a comunicação como eixo estruturante das disputas simbólicas e políticas da contemporaneidade e aposta na formação de profissionais capazes de enfrentar criticamente os desafios impostos pelas desigualdades sociais, pela fragmentação informacional e pela cultura digital.
Além da formação profissional, o curso oferece subsídios para que o estudante possa seguir caminhos acadêmicos e se tornar também pesquisador na área da comunicação, com ênfase em metodologias críticas, sensíveis e contextualizadas. A região amazônica, como território simbólico e material, ocupa lugar central na concepção do curso, guiando a reflexão sobre os sentidos do jornalismo, da informação e da cidadania na construção de um país mais justo, plural e democrático.
A proposta pedagógica visa formar profissionais com domínio técnico, capacidade crítica e sensibilidade ética para atuar em diversos contextos midiáticos, respeitando a diversidade cultural, os direitos humanos e os preceitos democráticos. Para isso, a matriz curricular contempla núcleos teóricos, práticos, de pesquisa, extensão e formação específica, permitindo ao estudante experimentar, refletir e construir conhecimento a partir de vivências concretas em redações, laboratórios, projetos de extensão e campos de estágio.
Nota no ENADE (2022): 4